O eixo intestino–cérebro, o estresse e a saúde bucal: o que a ciência mostra
- Odontologia Canabinoide
- 8 de jan.
- 2 min de leitura

O estresse crônico deixou de ser apenas um fator emocional para se tornar um determinante biológico central em processos inflamatórios sistêmicos. Evidências científicas recentes demonstram que ele desregula o eixo intestino–cérebro, comprometendo a barreira intestinal, a barreira hematoencefálica e amplificando quadros de neuroinflamação — com impactos diretos na saúde bucal, especialmente nas doenças periodontais e na dor orofacial crônica.
Esse foi o tema do artigo científico internacional:
“The Gut-Brain Axis and Stress: The Inflammatory Frontier – Integrating Barriers, Microbial Metabolites, Therapeutic Interventions, and Sex/Gender Differences”, publicado na plataforma científica SSRN.
👉 Acesse o trabalho completo:

O que o estudo investigou?
A revisão integrativa analisou estudos publicados entre 2020 e 2025, demonstrando como o estresse crônico:
Induz disbiose intestinal (desequilíbrio da microbiota)
Aumenta a permeabilidade intestinal (“intestino permeável”)
Permite a translocação de endotoxinas inflamatórias (LPS)
Ativa o inflamassoma NLRP3
Compromete a barreira hematoencefálica
Intensifica a neuroinflamação, ansiedade, depressão e dor crônica
Esses mecanismos não são isolados do contexto odontológico. Pelo contrário: eles se conectam diretamente à doença periodontal, à dor miofascial, ao bruxismo e aos transtornos temporomandibulares.
Periodonto, microbiota e prevenção: uma conexão essencial

Um dos pontos centrais reforçados pelo estudo é que a cavidade oral faz parte do sistema.
A inflamação periodontal crônica:
Contribui para a disbiose sistêmica
Mantém um estado inflamatório de baixo grau
Pode perpetuar a ativação do eixo intestino–cérebro
Aumenta a vulnerabilidade à dor crônica e ao estresse
👉 Controle periodontal, prevenção e manutenção não são apenas medidas locais.
São estratégias fundamentais para:
Preservar a eubiose (equilíbrio da microbiota)
Reduzir a carga inflamatória sistêmica
Proteger o eixo intestino–cérebro
Melhorar respostas ao tratamento em pacientes com dor e ansiedade
Intervenções terapêuticas promissoras
O artigo demonstra benefícios consistentes de abordagens integrativas, como:
Probióticos e simbióticos, restaurando a integridade das barreiras
Transplante de microbiota fecal (TMF) em modelos experimentais
Canabinoides, modulando a via do triptofano–quinurenina, reduzindo metabólitos neurotóxicos e a neuroinflamação
Estratégias personalizadas, considerando diferenças entre sexo e gênero
Essas evidências reforçam que o cuidado moderno deve ir além da clínica, integrando saúde bucal, intestinal, emocional e neuroimunológica.
Pesquisa brasileira com impacto internacional

O trabalho conta com a autoria do Dr. Guilherme Arthur Martins,
especialista em Periodontia, pesquisador e profissional da Oral Clinic, reforçando o protagonismo da odontologia brasileira na produção científica internacional.
A pesquisa conecta ciência de ponta, prática clínica e uma visão sistêmica da saúde — exatamente o que aplicamos no cuidado diário aos nossos pacientes.
Conclusão
A odontologia do futuro — e do presente — é sistêmica, preventiva e personalizada.
Cuidar do periodonto é:
Cuidar do intestino
Cuidar do cérebro
Cuidar da dor
Cuidar da saúde como um todo
Ciência, prevenção e integração caminham juntas.



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