
Cânhamo e a Aplicação da Cannabis Medicinal na Bíblia: o que diz Êxodo 30:23?
- Odontologia Canabinoide
- 5 de mai. de 2025
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O uso do cânhamo e da cannabis para fins medicinais e espirituais é muito mais antigo do que se imagina. Um dos registros mais curiosos e debatidos vem da própria Bíblia, especificamente do livro de Êxodo:
Texto original em hebraico – Êxodo 30:23:
וְאַתָּ֣ה קַ֠ח לְךָ֞ בְּשָׂמִ֣ים רֹאשׁ מָ֣ר דְּרֻ֒ר֒ חֲמֵ֣שׁ מֵא֔וֹת וְקִנְּמָ֣ן בֶּ֔שֶׂם מַחֲצִית֖וֹ חֲמִשִּׁ֣ים וּמָאתָ֑יִם וּקְנֵה־בֹ֖שֶׂם חֲמִשִּׁ֥ים וּמָאתָֽיִם׃
Tradução em português:
“Toma também para ti das mais excelentes especiarias: de mirra fluente, quinhentos siclos; de cinamomo aromático, a metade, isto é, duzentos e cinquenta; de cálamo aromático (kaneh bosm), duzentos e cinquenta.” (Êxodo 30:23)
Essa composição fazia parte do óleo sagrado de unção, utilizado em cerimônias sacerdotais do povo hebreu. Mas o que chama atenção é o termo hebraico kaneh bosm (קְנֵה-בֹשֶׂם), tradicionalmente traduzido como “cálamo aromático”.

Tradução tradicional:
Desde os tempos da Septuaginta (versão grega da Bíblia) e da Vulgata (versão latina), kaneh bosm foi interpretado como “cálamo” — uma planta aromática da família das gramíneas, semelhante ao junco.
Essa tradução influenciou diversas versões modernas da Bíblia, inclusive em português.
Uma interpretação alternativa:
kaneh bosm
seria cannabis?
Estudos linguísticos e etnobotânicos sugerem que essa tradução pode estar incorreta. A antropóloga Sula Benet, na década de 1950, defendeu que:
Kaneh (קְנֵה) significa “cana” ou “haste”.
Bosm (בֹּשֶׂם) deriva de bôsem, que significa “perfume” ou “aroma”.
Portanto, kaneh bosm seria “cana aromática”.
Curiosamente, essa raiz linguística aparece em diversas culturas antigas com referência direta à cannabis:
Grego antigo: kannabis
Sânscrito: śana
Assírio: qunubu (usado em rituais e tratamentos medicinais)
Evidências arqueológicas reforçam a hipótese
Escavações realizadas no santuário de Arad, em Israel, revelaram vestígios de THC e CBD em altares datados do século VIII a.C., indicando o uso ritual da cannabis entre os hebreus. Isso fortalece a teoria de que a planta poderia ter sido parte integrante do óleo de unção e de práticas espirituais da época.
O que isso nos ensina?
Ainda que não haja consenso absoluto, essas interpretações abrem espaço para uma revisão histórica do uso da cannabis — não apenas como substância medicinal moderna, mas como um elemento espiritual e terapêutico ancestral. Se confirmada, essa conexão mostra que o uso da cannabis pode ter sido reconhecido por culturas antigas como sagrado, terapêutico e legítimo.
Fato ou mito?
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Gui Martins
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